| >> Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 |
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O Público na sua edição de hoje destaca, em página inteira, o chumbo do traçado proposto pelas Estradas de Portugal para a Variante a Estremoz inserida no IP2 e sublinha a importância que, para a decisão do Ministério do Ambiente, teve o parecer desfavorável do Instituto de Meteorologia. Transcreve-se do Público: "Se fosse construída no local onde foi projectada, a variante a Estremoz obrigaria à desactivação de uma estação sísmica que está prestes a integrar o Sistema de Alerta de Tsunamis para o Atlântico Nordeste e Mediterrânico. A afirmação consta de um parecer desfavorável ao traçado da responsabilidade do Instituto de Meteorologia. O traçado passaria "junto" a uma estação sísmica de "vital importância" para a rede sísmica nacional. "Qualquer alteração nos níveis de ruído ambiental obrigaria à sua desactivação", diz o parecer." Para conhecer todos os pormenores deste conturbado processo de Avaliação de Impacte Ambiental consulte-se http://starmoce.blogspot.com/
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| >> Terça-feira, 28 de Agosto de 2007 |
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| Prólogo - a catástrofe no imediato Meio país a arder, o outro meio em estado de choque, muitas dezenas de mortos. 
Episódio 1 - a catástrofe ao retardador: depois do inferno, a erosão dos solos A floresta desempenha um papel fundamental ao nível da conservação do equilíbrio na biosfera, desde o ciclo dos gases da atmosfera ao ciclo da água, passando pela correcção torrencial e, consequentemente, pela prevenção da erosão dos solos. É sabido que os solos florestais ricos em húmus têm maior capacidade de absorção de água, implicando uma menor escorrência superficial e daí uma menor erosão. Por outro lado, as copas das árvores reduzem o impacto das gotas da chuva no solo, ao mesmo tempo que as raízes auxiliam a sua fixação, contribuindo para a manutenção da biodiversidade. Episódio 2 - a catástrofe ao retardador: depois do inferno, a acidificação dos solos Após um incêndio, o coberto vegetal arbustivo e herbáceo, que proporciona o sistema natural de retenção de água da chuva, deixa de existir: em consequência os solos encontram-se mais expostos e mais sujeitos aos fenómenos de erosão. Por sua vez a enorme quantidade de compostos químicos que são lançados para a atmosfera, junto com as cinzas, acabam por regressar ao solo, provocando, para além do mais, a sua acidificação. Episódio 3 - a catástrofe ao retardador: depois do inferno, a impermeabilização dos solos Os fogos florestais agravam extraordinariamente a situação em que se encontram os solos pobres da floresta mediterrânica. Acresce a tudo isto o facto de os incêndios de grandes dimensões, cuja frequência tem vindo a aumentar nos últimos anos em várias partes do globo, provocarem a impermeabilização dos solos, ou seja, a incapacidade de retenção das águas e da sua infiltração no subsolo. Episódio 4 - a catástrofe ao retardador: depois do inferno, um inverno de inundações Deixando de existir um sistema natural de retenção da água da chuva, esta, ao chegar ao solo, escoará a uma velocidade muito maior, aumentando a sua capacidade de transporte. Consequentemente, existe um risco maior de inundações, sobretudo nas regiões montanhosas do interior, onde os declives são extremamente acentuados. Episódio 5 - a catástrofe ao retardador: depois do inferno, a água contaminada Chuvas intensas podem levar, para além do arrastamento das enormes cargas orgânicas resultantes da matéria ardida, ao empobrecimento dos solos, por processos de lexiviação. Todos os sedimentos arrastados pelas chuvas torrenciais confluem nas linhas de água a jusante, alterando os parâmetros de qualidade da água e, em última análise, provocando a contaminação dos cursos de água e dos aquíferos na sua dependência. Exodo - as consequências da catástrofe Sem solos, sem água, sem recursos vivos, quem ficará para povoar o interior da Grécia? Nota: pode mudar-se o nome do país "Grécia" e trocar-se por outro, também mediterrânico ou não, em circunstâncias análogas. |
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| >> Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007 |
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Durante longos anos os responsáveis pela área dos resíduos e solos contaminados do nosso país recusaram-se a admitir que a contaminação era um problema ambiental em Portugal. A razão do "não-problema" era o atraso estrutural da nossa indústria pesada face aos países mais desenvolvidos. Mas agora os problemas de contaminação estão a "vir-ao-de-cima". Geralmente sob a forma de resíduos de hidrocarbonetos por tratar. Apenas dois exemplos, um a Sul, outro a Norte: · O Aterro Sanitário da Maria da Moita, no concelho de Santiago do Cacém e gerido pela empresa Águas de Santo André, que recebe, desde 1982, as lamas oleosas produzidas por empresas do complexo industrial de Sines, como a refinaria da Galp, a petroquímica da Repsol e a ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) da Ribeira dos Moinhos. Sob a fundação, e numa extensão superior a uma dezena de hectares, está ainda por avaliar a profundidade alcançada pela contaminação produzida pela deposição destes resíduos em solos permeáveis e nas águas subterrâneas. Mas a procissão "ainda vai no adro": o tratamento das cerca de 160 mil toneladas de lamas oleosas aí depositadas sofreu novo impasse, estando à vista a anulação do concurso lançado pela empresa Águas de Santo André, com o regresso do processo à “estaca zero”. · As persistentes descargas de hidrocarbonetos nas praias do concelho de Matosinhos provenientes da refinaria de Leça da Palmeira. Após a descarga ocorrida em 8 de Fevereiro deste ano a GALP tomou a decisão de realizar obras que permitirão, a partir de Outubro, quadruplicar a capacidade das bacias de tempestade da refinaria. Deste modo, em períodos de elevada pluviosidade ficaria limitado o risco de transbordo das águas que arrastam consigo resíduos de produtos petrolíferos. Mas uma nova descarga ocorrida nos primeiros dias deste mês, em tempo seco, mostrou que as bacias de retenção são apenas um, de entre vários problemas as resolver na unidade. Entre os quais se encontra, obviamente, a extensão da contaminação provocada nos solos e nas águas subterrâneas por estes derrames sistemáticos. A GALP irá interromper a actividade da refinaria a partir de 27 de Setembro, e durante três meses, para revisão dos sistemas internos. |
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| >> Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007 |
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Há exactamente 2 anos atrás formou-se o furacão mais caro (mais de 80 biliões de dólares) e um dos mais mortíferos (quase 2 000 pessoas) da história dos Estados Unidos da America. Os maiores danos foram provocados em New Orleans devido à ruptura dos sistemas de defesa. A 29 de agosto a tempestade conseguiu abrir brechas nos diques que rodeiam a cidade e as águas do Lago Pontchartrain submergiram cerca de 80% da metrópole, que se encontra a cotas inferiores. A cidade ainda hoje recupera da catástrofe.
O Furacão Katrina foi um virar de página na consciência mundial para as consequências das alterações climáticas globais, marcadas por tempestades mais intensas, ventos ciclónicos, ondas de calor, inundações e secas. |
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| >> Terça-feira, 21 de Agosto de 2007 |
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Chuvas torrenciais causaram a ruptura de um dique, conduzindo águas em cascata para dentro de um velho poço de uma mina de carvão, causando a inundação de galerias onde centenas de mineiros trabalhavam a 700 m de profundidade. Cerca de 180 continuam desaparecidos na mina Huayuan, situada cerca de 450 km a sul de Pequim, enquanto à superfície se envidam esforços para reparar o dique. foto: Reuters
Foi "apenas" mais um dos acidentes em minas de carvão na China, onde o registo de ocorrências marca, com incrível regularidade, a taxa de 15 mortos por dia (70 vezes a dos EUA e 7 vezes as da Rússia e da India). É este um dos preços do vibrante crescimento económico chinês com base no carvão, a fonte de energia de 2/3 da produção de energia eléctrica naquele país, apesar do incremento das fontes de energia hidroeléctrica e nuclear. A produção de carvão mais do que duplicou na China desde o ano 2000. A China, que é o maior produtor mundial de carvão, tem dois tipos de minas: as grandes, estatais, teoricamente mais seguras, e as pequenas, privadas, onde a maioria das mortes ocorre. A melhoria das condições de segurança nas minas é uma promessa todos os anos repetida pelas autoridades mas sem resultados palpáveis. Os mineiros trabalham 10 horas por dia, 7 dias por semana e recebem pelo carvão que escavam: em média 100 euros por mês. |
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| >> Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007 |
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Um sismo de magnitude 7.9 na escala de Richter atingiu ontem a costa do Perú matando centenas de pessoas na região a sul da capital, Lima. De acordo com o USGS o sismo teve o seu epicentro no limite das placas tectónicas de Nazca e América do Sul, que convergem a uma taxa de cerca de 1 cm/ano com a segunda a mover-se sobre a primeira (zona de subducção - linha purple no mapa de risco sísmico, abaixo). O sismo deu-se a cerca de 30 km de profundidade e a cerca de 150 km a SSE de Lima (posição da estrela, no mapa) e foi seguido de 2 réplicas com magnitude entre 5.4 e 5.9. 
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| >> Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007 |
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No rescaldo das cheias que afectaram um número recorde de pessoas no subcontinente indiano (estimativas apontam para cerca de 38 milhões) as autoridades indianas parecem estar sob fogo cruzado: enquanto a população do estado de Bihar (o mais afectado) condena a criminosa ineficiência dos sistemas de defesa civil, o governo do estado vizinho do Nepal exige a demolição da barragem de Laxmanpur, no rio Rapti, construída a escassos quilómetros da fronteira e contra a sua vontade, por sistematicamente provocar graves inundações a montante. Os últimos acontecimentos puseram a nú a falência dos sistemas convencionais de protecção contra as cheias, quer sejam as grandes barragens que, por má concepção e operação, potenciam as inundações ao invés de as evitar, quer os diques de protecção, mal dimensionados ou sem manutenção, que, ao ruir (neste período, só no Bangladesh, ruiram 75) amplificam os efeitos catastróficos das cheias. As situação é tão gritante que, em alguns casos, como no citado estado de Bihar, após a construção dos sistemas de "protecção" contra as cheias, a área inundável paradoxalmente quase que triplicou (passou de 2,5 milhões de hectares inundáveis para cerca de 7 milhões). Apesar disso, centenas de barragens estão projectadas para serem construidas na India (só no estado de Assam estão planeadas 160!), ao passo que escasseam os investimentos necessários para garantir as infraestruturas existentes em boas condições. Os sistemas de controlo das cheias parecem conviver mal com os outros objectivos com que as grandes barragens são feitas na India: produção de energia eléctrica e irrigação. A maximização do potencial hidroeléctrico e as exigências das culturas obrigam à manutenção dos níveis nas albufeiras tão altos quanto possível, em vez da libertação controlada dos caudais em períodos de menor risco. Por outro lado a intensa desflorestação das terras altas com o objectivo de aumentar as áreas agricultáveis levou ao aumento da erosão dos solos e à consequente à siltagem das albufeiras, que assim reduziram a sua capacidade de armazenamento. As grandes barragens na India sofreram um espantoso incremento a partir da independência: de 300 em 1947 passaram para cerca de 4000 (número apenas superado pela China e os Estados Unidos). Porém, estudos recentes (Duflo, Esther & Pande, 2005) só apontam ganhos marginais para a economia agrícola indiana, contrabalançados negativamente por substanciais impactes nas populações e no ambiente. http://ksghome.harvard.edu/~rpande/papers/dams_OUP_Nov30.pdf Segundo Lima et. al. (2007) as barragens são responsáveis por mais de 25% da contribuição indiana para o aquecimento global, em especial devido à libertação de metano por degradação em condições anaeróbias das grandes quantidades de matéria orgânica que permanecem nas albufeiras. Trata-se, sem dúvida, de um revés para os que consideram as barragens como uma fonte "limpa" de produção de energia. As barragens parecem assim incapazes de constituir uma solução para obstar aos danos produzidos pelo aumento dos caudais dos rios alimentados pelo progressivo degelo dos glaciares dos Himalaias, por sua vez causado pelo aquecimento global que, pelos vistos, elas próprias aceleram. Parece estar na altura de fazer uma revisão profunda dos paradigmas que sustentaram a sociedade tecnocrática das últimas décadas, entre os quais o do carácter intrinsecamente benígno das barragens. |
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| >> Terça-feira, 14 de Agosto de 2007 |
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O rastreamento do subsolo feito com a ajuda das imagens de radar fornecidas pela NASA permitiu encontrar os traços de antigos caminhos e canais, revelando um complexo urbano em torno do templo de Angkor Vat, no Camboja, três vezes maior que o que se suspeitava. A cidade, que foi a capital do império Khmer entre os séculos IX e XVI, estendia-se por cerca de 3.000 km2 (equivalente à Área Metropolitana de Lisboa) e teve o potencial de alimentar uma população de cerca de meio milhão de pessoas, de acordo com os autores deste estudo divulgado na Academia Nacional Americana de Ciência. Ao combinarem as imagens de radar com fotografia aérea e levantamentos de superfície, estes cientistas puderam determinar a localização de uma complexa rede de infraestruturas viárias e hidráulicas. Eles concluíram que a rede de canais de irrigação permitiria suprir as necessidades dos cultivos de arroz que se estendiam de 20 a 25 km ao norte e ao sul de Angkor. 
Estes trabalhos também permitiram encontrar os indícios que apontam para a confirmação da teoria segundo a qual um desastre ambiental teria provocado o declínio do império Khmer a partir do século XIV. A superpopulação, o desmatamento e a erosão do solo cultivável combinados com as inundações poderão ter tido consequências catastróficas para esta população que foi capaz de erguer a mais urbe do mundo pré-industrial, mas que não soube lidar com os seus impactes no ambiente. |
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| >> Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007 |
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Dois escorregamentos de terras consecutivos atingiram uma aldeia do Quénia, nas proximidades do Vale do Rift. A maior parte das duas dezenas de vítimas mortais são pessoas que procediam ao socorro das que foram soterradas enquanto dormiam. Os terrenos encontravam-se encharcados devido às chuvadas dos últimos dias. Após o primeiro escorregamento as operações de salvamento não poderam avançar com escavações, com receio de produzir um novo movimento de terras. Porém tal não obviou a que, algumas horas depois, o terreno cedesse às tensões produzidas nos terrenos saturados. A área onde ocorreu o escorregamento encontrava-se até há pouco tempo coberta por floresta. A população local acredita que o acontecimento está directamente relacionado com a a desflorestação produzida pelos agricultores para a obtenção de terrenos agrícolas. 
Photo: Edward Kale/IRIN |
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| >> Domingo, 12 de Agosto de 2007 |
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O Centro de Geofísica de Évora em colaboração com o Centro de Investigação em Geociências Aplicadas da UNL, está a preparar uma segunda edição do curso "Riscos Naturais e Tecnológicos e sua prevenção" para os dias 9 e 10 de Novembro de 2007. O Curso é gratuito e a inscrição dá direito a um livro com cerca de 160 páginas. Para informações complementares sugerimos que consulte: http://www.cge.uevora.pt/crnt2007/

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| >> Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007 |
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A utilização progressiva das energias renováveis tem muitas vantagens, desde a maior segurança no fornecimento devido à diversificação das fontes, tendo por base um cenário de previsível instabilidade de fornecimento a partir das fontes de energia convencionais, em particular o petróleo (vantagens sociais), até ao abatimento no CO2 (vantagens ambientais) e consequente contribuição para o cumprimento do protocolo de Quioto (vantagens económicas e políticas). No contexto português em particular, as vantagens são ainda mais assinaláveis devidos às grandes potencialidades do nosso território no capítulo da hídrica, eólica, solar, das ondas e biomassa, por exemplo. É por isso estratégico para Portugal que, a par da promoção de medidas de eficiência energética, se maximize o contributo das energias renováveis no abastecimento energético. Outra questão é saber como a implantação das estruturas associadas à utilização destas fontes energéticas podem afectar os valores ambientais. A eólica, por exemplo, pode ser agressiva, nomeadamente se os valores geomorfológicos e da paisagem forem diminuidos pela instalação dos aerogeradores. Algumas serras portuguesas estão a ser literalmente invadidas por tais "mega-ventoinhas": a serra da Arada, por exemplo: - Antes, uma paisagem equilibrada, dominada pelas serranias, onde o homem, insignificante, ocupava as covas do monte, cultivando o seu lameiro (na foto, a aldeia da Pena).

- Depois, lá foram aparecendo os postes das linhas de alta tensão...

- E agora são os aerogeradores para a produção de energia eólica. Nisto tudo, como fica a protecção das paisagens geológicas?

(Fotos tiradas em 5 de Agosto de 2007, do alto de S. Macário, no concelho de S. Pedro do Sul) |
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| >> Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007 |
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À medida que as chuvas diminuem de intensidade, a fome e as doenças ameaçam dezenas de milhões de pessoas no Subcontinente Indiano, perante as cheias que afectam partes significativas da India e do Nepal e colocaram cerca de 1/3 do Bangladesh debaixo de água. 
É assim todos os anos, dir-se-á. Mas é preciso ir à causa dos problemas. As monções, ventos periódicos característicos desta região da Àsia, trazem chuva intensa nesta época do ano, é certo. Mas os seus efeitos são potenciados pela desmatação das encostas dos Himalaias, com o objectivo aparentemente meritório de proporcionar novas áreas de cultivo. Na maior parte dos casos esta acção tem como resultado a utilização de solos de fraca qualidade que, uma vez deixados sem protecção, são facilmente erodidos e arrastados pelas chuvas torrenciais. É assim que as más práticas agrícolas levadas a efeito pelos agricultores pobres do Nepal e do Assam (antes conhecida pelas suas florestas luxuriantes, hoje dedicada à cultura do chá) se reflectem, e de que maneira (!) no drama das populações que habitam o delta comum ao Ganges e ao Bramaputra. Porque os desequilíbrios ambientais tendem a suceder-se em cadeia, numa intrincada relação entre riscos naturais e provocados pela acção antropogénica: (1) a desmatação das terras altas deixa os solos nus; (2) favorece a erosão e (3) facilita o regime torrencial das encostas; (4) provocando a inundação das terras baixas, (5) a destruição dos solos férteis e de vidas e bens. É assim que, hoje em dia, as populações que vivem no sopé das cadeias montanhosas, como os Himalaias e os Andes, são ciclicamente varridas pelas torrentes que descem por vertentes despidas de coberto vegetal. Um novo ordenamento do território, começando na reflorestação e acabando na relocalização das populações poderia, senão evitar, pelo menos mitigar o sofrimento destes povos, cuja proverbial sabedoria parece ter sido esquecida pelas últimas gerações. |
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