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>> Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007
Inquérito sobre as possibilidades e condicionantes da Captura e Armazenamento de Carbono
 

A Captura e Armazenamento de Carbono (Carbon Capture and Storage) em formações geológicas é uma das soluções para a redução das emissões de dióxido de Carbono para a atmosfera e, consequentemente, de mitigação dos efeitos destas emissões. 

Neste momento ainda não existe quadro legal na UE que preveja tal solução. O futuro quadro legal, cuja publicação está prevista para o final de 2007, deve considerar, entre outras, as preocupações dos cidadãos europeus. Neste sentido, a Ue lançou uma consulta pública em forma de inquérito até 16 de Abril de 2007.

Este inquérito pode ser encontrado em http://ec.europa.eu/environment/climat/ccs/consult_en.htm.

A nossa participação é importante.

 
por Marco Rocha comentar (post sem comentários)
 
>> Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007
Mudanças globais – III
 

Hoje pode dizer-se com relativa certeza que o Homem é responsável por variações climáticas que estão fora do padrão de variabilidade natural exibido pelo sistema Terra após a última glaciação. Na sua última reunião em Paris, a 2 de Fevereiro de 2007, o IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change) afirma estar 90% seguro de que o aquecimento global verificado nos últimos 50 anos é de origem antrópica (mais informações em http://chronicle.com/free/2007/02/2007020208n.htm).

Com efeito, nos últimos 10.000 anos ocorreu uma grande constância, com um “óptimo climático” entre os últimos 4 e 8 mil anos.

Nos últimos 2.000 anos a um “período medieval quente” seguiu-se uma “pequena idade do gelo”.

A partir do início do século XX dá-se uma progressiva subida da temperatura (apenas contrariada nas décadas de 40 a 70).

Desde o fim da década de 70 observa-se uma subida constante da temperatura, com a elevação de cerca de 0,5ºC em 30 anos.

Até 2100, segundo os vários cenários divulgados, prevê-se que a temperatura da Terra se eleve entre 1,4 e 5,8ºC (de 2 a 6,3ºC na Europa).

Mas a verdadeira má notícia é: ainda que a redução das emissões de GEE se fizesse a partir de agora, a concentração de CO2, a temperatura e o nível do mar continuariam a subir durante séculos.

Fonte: IPCC, 2001

Figuras retiradas de Wikipedia excepto quando assinalado.

 
por Carlos Nunes da Costa comentar (post sem comentários)
 
>> Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007
A Barragem da Foz do Tua. Sim ou Não?
 

Dia 12 de Fevereiro descarrilou um comboio na linha do Tua causando a morte de 3 pessoas e 2 feridos.

Embora a causa deste acidente tenha, ao que se pode apurar até ao momento, uma causa geológica, não é deste fenómeno que aqui vou escrever.

A linha do Tua tem sido ao longo dos tempos vetada a um abandono controlado mas que torna cada vez mais difícil a aposta local num turismo de qualidade. Mas que turismo?

Esta linha é a melhor forma de conhecer o vale do Tua. Confesso que nunca fiz a viagem, mas os relatos são por si suficientes para me dar esta confiança. Quase sempre acompanhados com inúmeras fotografias, encontram-se com alguma facilidade dezenas de relatos de viagens na linha do Tua através de um simples clique na internet. Foi isso que eu fiz e confesso alguma inveja por nunca ter feito a viagem. Mas conheço a foz do Tua, as termas de São Lourenço, e muitas das aldeias e vilas que cresceram pelo Tua.

Quando soube que a EDP projectava uma barragem para a foz deste rio fiquei um pouco preocupado. Embora esta zona não seja abrangida pelo alto Douro Vinhateiro (património mundial) é parte integrante da Região Demarcada do Douro (RDD), região reconhecida internacionalmente pelo seu vinho. Certo que existem muitas vinhas abandonadas, muitos terrenos por cultivar, e um tipo de cultivo difícil, impróprio dos tempos modernos. Mas também é certo que a classificação de Património mundial de outras zonas da RDD existe por se considerar que esse tipo de cultura é uma mais valia para o Mundo em que vivemos.

Rio Tua (foto de António Amorim em http://fotos.afasoft.net/div/tua.html)

Ora então vamos analisar esta situação.

A albufeira da barragem irá alagar parte dos terrenos cultiváveis desta região e, segundo alguns agricultores, a melhor parte (in. http://www.lamegohoje.com). A albufeira irá inundar parte da linha do Tua impedindo que aqueles, como eu, que nunca tiveram hipótese de fazer a viagem a façam de futuro. Este fecho da linha não me preocupa só por Eu não poder fazer a viagem, não! Mas e aqueles que dela dependem para fazer o seu dia a dia? Certo que ultimamente não são muitos, mas porque efectivamente tudo tem sido feito para que a linha morra e, mais uma vez, dando primazia à circulação rodoviária. Ora, eu venho para a faculdade todos os dias de carro, porque os transportes não me servem. Não há que criticar quem o faça em Mirandela.

Então temos uma linha em abandono, uma vinha em abandono, um território despovoado, uma população em êxodo em busca de trabalho, e uma região de beleza natural impar e com potencial turístico e vinícola elevado.

É intenção da barragem criar emprego directamente, dotar a região de uma estrutura que permita os desportos náuticos, criando assim turismo e mais emprego e fechar de vez uma linha pobre, mal mantida, e que serve tão poucos. Com uma capacidade de 208 MegaWatts servirá 35 000 pessoas.

Pesados os prós e os contras a primeira análise diz-nos que devemos apoiar a construção da barragem. O que está decadente, abandonado fica e a barragem vai reanimar a região.

Parece-me a solução fácil. Não concordo com a construção da barragem pois sei que depois de construída pouco haverá a fazer pelo património natural que a região abraça.

Devemos apoiar esta e outras regiões deprimidas, sim. Mas dotando-as de mecanismos que permitam o aproveitamento do que de melhor ela contém. Neste caso, o vinho, a paisagem e uma oportunidade única de se desenvolver em consonância com aquilo que a natureza nos deu, a linha do Tua. Existe já um conhecimento geral de que é belo e um reconhecimento internacional de que vale a pena manter belo. Será que a electricidade produzida, o banho na albufeira e o passeio nas motas de água pagam isso?

Sei que muitos, mesmo os que moram lá, podem ser favoráveis à construção da barragem, como sei que outros não são. Mas, para mim, o que esta região precisa é de uma linha do Tua a funcionar bem, de vinhas a produzir, de publicidade positiva e de muitos a fazer por ela e não contra ela. Precisa de turismo de qualidade e de formar escola na arte de bem receber e de bem manter o que temos. Precisa de se dinamizar mostrando com orgulho como de doma um território tão inóspito como este.

E o emprego? Não há soluções milagrosas. Mas o que me parece óbvio é que o abandono nunca criou emprego.

Deixo a pergunta. A barragem da Foz do Tua, deve ou não ser construída?

 
por Marco Rocha comentar/ver comentários (1 comentário)
 
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