Com o aumento da influência humana nos factores condicionantes das alterações climáticas e, naturalmente, com o crescimento de conhecimento que o Homem possui sobre esta influência tornou-se necessário a aplicação de medidas que contrariem estas tendências de desequilíbrio. Com a entrada em vigor do Protocolo de Quioto torna-se premente a aplicação de novas tecnologias alternativas às emissões de dióxido de carbono. Apesar da alternativa principal seja a de não emitir este composto através da utilização de combustíveis mais limpos, certo é que a sociedade contemporânea está demasiado dependente dos combustíveis fósseis para que se adivinhe esta mudança a curto prazo. Com base neste último ponto foi então decidido aplicar vários métodos de fomento à diminuição das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. A criação a nível europeu (Directiva 2003/87/EC) do Comércio Europeu de Licenças de Emissão vai precisamente de encontro a essa pretensão. Foram atribuídas licenças de emissão de dióxido de Carbono a estados membros e a empresas, podendo estas ser negociadas num então criado mercado do Carbono, naturalmente responsável pela definição do preço da licença correspondente à emissão de uma tonelada de CO2. Uma alocação excessiva do número de licenças (cerca de 340 milhões a mais) levou a um crash da bolsa de quase 70% entre o ínicio e o final de 2006. Esta tendência implica que no final do ano 2007 as licenças estejam a ser transaccionadas a preços perto do 0€. Contudo com a revisão prevista para a segundo período (2008 a 2012) espera-se que os preços subam de tal forma que uma licença de emissão comprada em Dezembro de 2006 para ser usufruída em Dezembro de 2010 já atinge o preço de 19.5€. Segundo a Agência Internacional de Energia a produção anual mundial de dióxido de Carbono fruto da queima de combustíveis foi em 2001 de 24 Gt e prevê-se que em 2030 chegue às 38 Gt. Assim sendo, espera-se que as tendências de evolução deste mercado sejam de aumento do preço da emissão de dióxido de Carbono, corroborando assim a teoria que defende a não emissão de CO2 como economicamente, para além de ambientalmente, mais correcta. É precisamente aqui que entra a Captação e Armazenamento de CO2 (CCS – Carbon dioxide Capture and Storage). A diminuição da emissão de dióxido de Carbono através do seu armazenamento é o objectivo desta nova tecnologia. O armazenamento em formações geológicas competentes para tal é uma das formas que esta tecnologia preconiza como solução para este problema. Para o armazenamento em formações geológicas sugerem-se essencialmente três tipo de reservatórios: reservatórios de hidrocarbonetos explorados, jazigos de carvão inexploráveis e aquíferos salinos profundos. 
Opções de armazenamento em formações geológicas (IPCC, 2006) Este tipo de armazenamento possui porém alguns problemas, nomeadamente o tipo de reservatórios capazes, a capacidade dos reservatórios e o perigo de fuga do dióxido de carbono. Qualquer uma destas questões é actualmente bem conhecida e consensualmente considerada menor face aos potenciais benefícios retirados da aplicação desta tecnologia (IEA, 2001). Os jazigos de hidrocarbonetos já explorados são reconhecidos pela sua boa capacidade como reservatório e por constituírem formações estanques face à possibilidade de fuga do CO2. Além disso, o facto de se encontrarem bem estudados do ponto de vista geológico contribui bastante para a valorização desta opção. Em jazigos em exploração é valorizada a contribuição da injecção de CO2 mantendo assim a pressão do reservatório e aumentando a exploração deste em cerca de 10 a 15% (EOR – Enhanced Oil Recovery). A capacidade mundial estimada de armazenamento é de cerca de 920 Gt. Os jazigos inexploráveis de Carvão surgem como outra alternativa para o armazenamento. Apesar de uma menor capacidade, cerca de 15Gt mundiais, o processo pelo qual o dióxido de Carbono é adsorvido pelo carvão, assim o retendo permanentemente, torna esta opção bastante atractiva. Além disso a injecção de CO2 neste tipo de jazigos vai provocar uma substituição do metano aqui alojado por CO2. Desta forma o gás pode ser explorado rentabilizando a eliminação do dióxido de Carbono. Por último, a injecção em aquíferos salinos profundos. Este tipo de reservatório recolhe a maior cota de armazenamento de todos com 400 a 10 000 Gt de capacidade mundial. O aproveitamento de aquíferos profundos, inexploráveis face ao carácter salino das águas, pode vir a ser a melhor solução. Só na Noroeste Europeu estima-se uma capacidade de armazenamento de 800 Gt de CO2. Na Noruega já existe uma unidade de exploração de Gás natural (Sleipner Vest project, Statoil) que utiliza este método separando CO2 do gás explorado e re-introduzindo-o num aquífero salino a cerca de 800m de profundidade. Esta unidade injecta cerca de 1Gt de CO2 por ano. Existe ainda a possibilidade de, neste tipo de reservatórios, se darem reacções químicas entre o CO2 e alguns minerais formando carbonatos e assim armazenando-o permanentemente. O armazenamento subterrâneo traduz custos para o produtor de CO2, porém e descontando os custos de captura (ainda elevados mas previstos diminuir com próximos avanços tecnológicos), estes custos tornam-se baixos rondando os 8.5US$/tCO2 (monitorização incluída). Os custos da avaliação das condições geológicas (geological assessment) propensas a um projecto deste tipo são insignificantes face aos custos totais duma operação deste tipo podendo rondar os 0.1US$/tCO2 (Friedmann et. al., 2006) Este tipo de soluções carecem ainda de mais estudos, nomeadamente a nível nacional mas sempre conscientes que devem ser uma solução a ter em conta e que num futuro próximo poderão ser o rumo mais apropriado a tomar. Agradecimentos: Gostaria de agradecer à Engª Patrícia Cardoso (Consultant da Ecoprogresso) pelos seus úteis esclarecimentos sobre o mercado do Carbono. Referências: IEA Greenhouse Gas R&D Programme (2001) – Putting Carbon back to the ground. IEA. ISBN:1 8988373 28 0. 28 p. Friedmann, S. J.; Dooley, J. J.; Held, H.; Edenhofer, O. (2006) – The low cost of geological assessment for underground CO2 storage: Policy and economic implications. Energy Conversion and Management, Elsevier. Vol. 47. Amsterdam. pp. 1984-1901. Intergovernmental Panel on Climate Change (2006) - Carbon dioxide capture and storage - Summary for Policymakers and Technical Summary. IPCC. ISBN 92 9169 119 4. 53 p. Ecoprogresso (2007) - EcoTradeNEWS. Newsletter da EcoProgresso. Número 5, Janeiro. 4 p. |